sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O Poder quer trabalhar

Comissão vai a Brasília discutir segurança pública
Vítima de espancamentos por seguranças da Z100 permanece em estado grave no Hospital São Matheus. Comissão de Segurança da AL discutirá segurança pública em Brasília

ITIMARA FIGUEIREDOSecretaria de Comunicação
O presidente da Comissão de Segurança Pública e Comunitária da Assembléia Legislativa, deputado Walter Rabello (PMDB), assegurou que vai discutir a questão da segurança pública de Mato Grosso com o ministro da Justiça, Tarso Genro, em Brasília. O senador Jaime Campos também irá participar do encontro em data a ser definida.
“Há um descaso público em todos os aspectos”, disse Rabello, ao se referir sobre o caso do estudante do 9º semestre de Direito e funcionário do Banco Bradesco, Djalma Ermenegildo Júnior - que foi espancado por seguranças da casa noturna Z100 na madrugada da última sexta-feira (16). Rabello também destacou que o secretário de Estado de Segurança Pública, Carlos Brito já esteve na Assembléia Legislativa no mês passado para prestar esclarecimentos sobre a situação do setor no estado.
“A realidade está aí. A falta de segurança existe. O sistema não funciona de forma nenhuma. O governo e o município devem tomar medidas eficazes para combater a criminalidade, inclusive em relação às casas noturnas e aos profissionais. Será que estão psicologicamente preparados para exercer o cargo?”, questionou o deputado, ao defender que o proprietário da Z100 tem que ser responsabilizado pelo incidente.
Rabello assegurou que as medidas devem ser tomadas urgentemente e colocou à disposição a Comissão de Segurança da Assembléia para debater o caso. “O sistema deve ser estudado para reformulação de uma lei que realmente puna o bandido. Pois, a impunidade é a principal semente para o alto índice de criminalidade no país”, destacou.
AVALIAÇÃO MÉDICA - Acompanhados do diretor clínico do Hospital São Matheus, médico Altino José de Souza, os neurocirurgiões Wilson Novais e Jony Soares Ramos apresentaram, em coletiva à imprensa nesta segunda-feira (19), o diagnóstico de Djalma Ermenegildo Junior (21).
De acordo com os médicos, ele está consciente, clinicamente estável, com déficit neurológico, tetraplegia – não move os membros inferiores e apresenta fraqueza nos superiores. “A recuperação requer um longo prazo”, disse Novais, ao explicar que houve luxação na coluna cervical de Djalma, que chegou ao hospital com paraplegia e traumatismo craniano.
Sobre o tipo de agressão sofrida pelo paciente na casa noturna, o médico Jony Ramos disse que o déficit severo persistente pode ter sido causado por diversas ações e que, agora, é preciso suporte clínico para evitar outras complicações como inflamação urinária, entre outras. A perspectiva, segundo Ramos, é que o paciente saia da Unidade de Tratamento Intensivo em breve, no entanto continuará internado por tempo indeterminado.
O advogado da família, Valdenir Rodrigues Benedito informou que o processo criminal está em andamento e garantiu busca incessante para prender os criminosos. “Estão sendo tomadas as medidas cabíveis para assegurar a reparação dos danos moral e corporal causados pelos seguranças da casa noturna Z100”, afirmou, ao acrescentar que houve abuso nas ações dos seguranças que provocaram danos drásticos à vítima. Benedito questionou que as casas noturnas não têm profissionais qualificados para exercer a função. “Houve falha da casa noturna e dos seguranças que usaram a força bruta desnecessária”, concluiu.
Durante a coletiva, o pai da vítima, Djalma Ermenegildo disse que não quer vingança, mas sim justiça, para que outros pais não passem pelo mesmo que ele está vivendo. “Só sabe do problema, os que passam pelo que estou passando”, lamentou, ao questionar quais os critérios usados pelas empresas para a contratação desses profissionais.
De acordo com testemunhas, ele estava na fila para pagar a conta da Z100, quando foi empurrado e retirado da fila por seguranças que o levaram para uma sala, onde foi encontrado gravemente ferido.
Mais informações:Secretaria de Comunicação da ALFones: 3901-6310/ 6283
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